PROGRAMA DE MESTRADO EM HEALTHCARE MANAGEMENT - HCA670 - 3.4

Gestão de risco e controles internos de instituições de saúde

Desenvolvido por Angela Maria Moed Lopes em 2023 do livro Governance and Leadership in Health and Safety: A Guide for Board Members and Executive Management, do autor Waddah Shihab Ghanem Al Hashemi, publicado em 2021 pela Editora Routledge.

Gestão de risco e controles internos de instituições de saúde

Objetivos de Aprendizagem

Introdução

Em temas anteriores, você percebeu que o risco pode ser caracterizado como um evento futuro ou um conjunto de eventos que podem causar impactos à organização. O risco é inerente a qualquer atividade no âmbito profissional, pessoal ou nas organizações e pode resultar em perdas ou oportunidades.

Quando a organização não adota um processo de gestão de riscos, podemos dizer que o risco é a possibilidade de ocorrer um evento incerto, fortuito e danoso. O processo de gestão de riscos deve considerar o desconhecido, concentrando-se não somente naquilo que é possível compreender, mas, também, nas oportunidades que podem ser aproveitadas.

A ameaça é um risco à segurança corporativa, visto que pode resultar em perdas reais, tais como as relacionadas às finanças ou à sua imagem interna ou externa. O risco pode ser um ou mais eventos com potencial, tangível ou intangível, de causar dano à organização.

Muitos riscos são inerentes ao negócio, assim a competência do profissional de gestão de riscos e controle interno relaciona-se à definição de quais riscos a organização deve tratar. Os riscos sempre estarão presentes, podendo ser de baixo ou alto nível de perigo, de acordo com as medidas preventivas e de segurança existentes.

O controle interno associado a uma gestão de compliance efetiva permite o mapeamento dos processos e a avaliação dos riscos corporativos existentes. Neste contexto, podemos considerar que o gerenciamento de riscos requer a observação do passado e do presente e a projeção para o futuro, no intuito de efetuar uma gestão empresarial responsável, baseando-se em informações confiáveis que dão suporte ao processo de tomada de decisão na organização, com controles internos mais efetivos e uma gestão de compliance próxima da gestão e da governança.

Conceito de controles internos

O controle interno relaciona-se ao conjunto de políticas, procedimentos, normas, protocolos, diretrizes, trâmites de documentos e informações, dentre outros, que são operacionalizados de forma integrada pelos gestores e colaboradores das organizações, no intuito de reduzir os níveis de incerteza da ocorrência ou não de um risco, fornecendo uma segurança razoável de que os seguintes objetivos gerais serão alcançados:

De acordo com Nascimento e Reginato (2013, p. 111) o “controle interno é cada procedimento estabelecido e executado individualmente e sistema de controles internos é organização de todos os mecanismos de controle que interagem entre si, garantindo a salvaguarda dos ativos da empresa, a melhoria da eficiência operacional, a integridade e transparência das informações econômico-financeiras e, além disso, auxilia na adesão às políticas e novas propostas pela administração da companhia”.

Dependendo do tipo de atividade exercida pela organização podem existir alguns tipos específicos de controle interno. Para a distinção das atividades de um controle interno é preciso destacar alguns de seus princípios:

A implantação de controles internos deve ser de responsabilidade da alta administração, que realiza a operacionalização e supervisão dos controles, visto que é de responsabilidade da mesma estabelecer o plano de organização, que nada mais é do que o desenho organizacional da empresa, no qual são estabelecidas as responsabilidades básicas de cada unidade e alocação de recursos para adequada gestão dessas atribuições. No que se refere aos instrumentos e mecanismos da governança corporativa e ao ambiente de controle, é necessária a avaliação de cinco aspectos:

O primeiro ponto descrito está relacionado ao controle de fraudes. Para reduzir as fraudes e os erros humanos voluntários, o ambiente de controle deve estabelecer um código de ética abrangente e manuais de conduta detalhados. Os riscos relacionados ao erro humano involuntário devem ser mitigados pelos controles internos, por meio de programas de treinamento e capacitação, sistemas de alçadas, delegações e autorizações, dentre outros. Riscos relacionados aos sistemas devem ser administrados por meio da utilização de programas de contingência ou planos de continuidade dos negócios, dentre outras ferramentas.

Tradicionalmente, o ambiente de controle interno configura-se como uma situação permanente e contínua, existente em todos os ambientes da organização, visando a minimização dos riscos e o aumento da eficácia dos processos. Um forte ambiente de controle interno baseia-se na integridade e na ética dos colaboradores em todos os escalões, assim, a existência de um clima organizacional permissivo ou um contexto operacional corrupto comprometem o alcance dos objetivos da empresa. Os executivos da alta administração determinam, na prática, os aspectos éticos da organização. Estes aspectos influenciam, diretamente, todos os demais componentes e instrumentos de controles internos.

O segundo ponto relaciona-se à necessidade da difusão de uma forte cultura de gerenciamento de riscos no ambiente interno da organização, apoiada pela supervisão constante, no intuito de fortalecer essa cultura. O descompromisso da gerência com a qualidade dos controles internos e contábeis, utilizados no gerenciamento de processos e dos riscos, contribuem para a existência de uma falha de comunicação entre as unidades de negócios e a alta administração.

O terceiro ponto associa-se à segregação de funções. Essa segregação entre as funções de governança e de gestão é imprescindível, cabendo ao Conselho de Administração as atividades de orientação estratégica e de supervisão das ações da Diretoria Executiva, a qual, por sua vez, executa a gestão da organização. Dentre as atividades de supervisão do risco, executadas pelo Conselho de Administração, podemos incluir os seguintes assuntos: determinação da política geral de administração dos riscos, monitoramento do plano de resposta aos riscos, revisão periódica dos controles implementados para a gestão dos riscos identificados, e, eventualmente, contratação de especialistas externos para análise e aconselhamento da alta administração sobre as características específicas da gestão de riscos.

O quarto ponto relaciona-se ao objetivo do compliance, que pode ser desdobrado em duas áreas:  o alinhamento às normas internas, tanto a nível operacional quanto estratégico, e a observância às normas externas, decorrentes de leis e regulamentos.

Para o alcance dos objetivos do compliance é necessário a implementação de um programa e de uma infraestrutura voltada para garantir a integridade do fluxo de informações verticais, entre as unidades de negócio e a alta administração. Esta medida pode impactar na estrutura organizacional e exigir a criação de uma assessoria de compliance entre a Diretoria Executiva e o Conselho Administrativo.

O último ponto está relacionado ao papel da auditoria interna, que é o órgão de controle interno da empresa, responsável pela avaliação da adequação e da efetividade desses controles. A gestão de risco operacional envolve a inibição de fraudes, a redução dos processos utilizados na organização e a minimização de falhas nos sistemas, particularmente os de Tecnologia de Informação. O papel do auditor interno envolve a inibição de fraudes, avaliação dos controles internos, no intuito de minimizar os erros e otimizar o processo de gestão.

Auditoria interna com foco em riscos utiliza avaliações elaboradas com base nos riscos de negócios identificados durante o levantamento de informações. Estas avaliações baseiam-se nos controles que minimizam os riscos relevantes, a fim de antecipar e prevenir os riscos em sua origem. Grande parte do tempo do processo de auditoria interna é voltado ao levantamento e análise de informações. Esta abordagem demanda uma visão mais ampla e aprofundada dos controles internos, tanto os administrativos quanto os contábeis. O foco de atuação da auditoria interna está voltado a uma postura mais comprometida com a produtividade organizacional e com os ganhos de eficiência, a fim de verificar a qualidade da gestão dos negócios da organização.

Committee of Sponsoring Organizations of the Treadway Commission

No ano de 1992, o Committee of Sponsoring Organizations of the Treadway Commission (COSO) publicou a obra Internal Control – Integrated Framework (Controle interno - estrutura integrada) no intuito de fornecer um referencial técnico para a estruturação de sistemas de controle interno nas organizações.

No ano de 2004, o COSO publicou o Enterprise Risk Management - integrated framework (COSO-ERM ou COSO II). Este documento é considerado, ainda hoje, uma referência no tema gestão de riscos corporativos. Este modelo foi proposto no intuito de fornecer orientações às organizações para o estabelecimento de um processo de gestão de riscos corporativos e aplicação de boas práticas sobre o tema.

O COSO 2013 ressalta a relação entre o controle interno, gestão de riscos corporativos e a governança corporativa. O controle interno faz parte do processo de gestão de riscos corporativos, enquanto este faz parte do processo geral de governança, como pode ser observado na figura 1.

Figura 1: Relação entre Governança Corporativa, Gestão de Riscos e Controle Interno.

Fonte: adaptado de TCU (2023).

A nova versão, COSO ERM – Integrating with Strategy and Performance, evidencia a importância de considerar os riscos tanto durante o estabelecimento da estratégia quanto no aprimoramento da performance, como observado na figura 2.

Figura 2: Integração entre estratégia e performance.

Fonte: adaptado de TCU (2023).

saiba mais

Saiba mais sobre o guia de implementação de uma estrutura integrada de controle interno por meio do link:

Conceitos Fundamentais:

Commitee of Sponsoring Organizations of the Treadway Comission (COSO) – é uma entidade sem fins lucrativos voltada à melhoria de relatórios financeiros por meio da ética, efetividade dos controles internos e governança corporativa.

Materiais Complementares:

Em resumo

Neste tema você percebeu que os controles internos constituem parte do processo de gestão de riscos e são caracterizados como práticas de gerenciamento que podem contribuir tanto para minimização dos riscos relacionados a erros e fraudes quanto para o alcance dos objetivos relacionados à governança corporativa, devendo ser implantados pela alta gestão das organizações.

na ponta da língua

Referências
Bibliográficas

Al Hashmi, W. S. G., & Arnold, B. (2021). Governance and Leadership in Health and Safety: A Guide for Board Members and Executive Management. Routledge, 1st Edition.

Bergamini Junior, S. (2005). Controles internos como um instrumento de governança corporativa. REVISTA DO BNDES, RIO DE JANEIRO, V. 12, N. 24, P. 149-188.

Brasil. Tribunal de Contas da União. (2018). Guia de governança e gestão em saúde: aplicável a Secretarias e Conselhos de Saúde. Brasília: TCU, Secretaria de Controle Externo da Saúde.

Furtado, L.L. (2020). Gestão de Riscos. Curitiba: Contentus, 1° Ed.Assi, M. (2021). Gestão de riscos com controles internos. Saint Paul Editora.

TCU. Tribunal de Contas da União (online). Modelos de referência de gestão corporativa de riscos. Disponível em: https://bit.ly/pdf Acessado em 26 de junho de 2025.

questões

PROGRAMA DE MESTRADO EM HEALTHCARE MANAGEMENT - HCA670 - 3.4

Gestão de risco e controles internos de instituições de saúde

Livro de Referência:

Governance and Leadership in Health and Safety: A Guide for Board Members and Executive Management

Autor: Waddah Shihab Ghanem Al Hashemi

Editora: Routledge, 2021

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